Cadê o que você prometeu? Segundo me consta, deveu tem que pagar. Mas você não apareceu. Sei não, mas fiquei mal. Desde as 20 horas tava lá. No local combinado e com a roupa prometida. Aliás, cheguei uns sete minutos antes, pra não provocar falatórios. Não gosto de atrasos, mas odeio esperar. Via você em qualquer pessoa. Imaginava estar disfarçada, só pra me despistar. Imaginei até ser uma bela mulher loira, alta, elegante, de salto alto, vestido amarelo-ouro e batom bem vermelho que vinha em minha direção. Viajei demais. Não era. Nem olhou pra mim. Nem me reparou com a camiseta do Botafogo que te prometi usar. E, delongas mais, dancei. Amarelei de tédio. Minha barriga começou a pedir pinico. Uma caganeira se avizinhava. Contorci-me de dor. Procurei um refúgio pra me ver livre daquelas lombrigas, mas tive que acelerar o passo pra conseguir chegar em casa. Quem dera uma fralda geriátrica naquele momento! Quem dera estar num shopping (apesar de odiá-los). Quem dera ter te encontrado, pois nada disso teria acontecido. Meu emocional emocionou, aliás, decepcionou. Milhares de informações chegavam ao meu cérebro, frutos do meu pensamento. Pensando besteiras. Pensando em você e no bolo que me destes. Consegui subir 3 vãos de escadas, a passos cuidadosamente lentos, mesmo sabendo que a lentidão era minha maior inimiga naquele momento. Mas não podia desconcentrar-me, pois certamente a merda viria. Nada de relaxar, tinha mais era que segurar a onda. Até a chave ficou difícil de enfiar na fechadura, mas consegui já bastante suado e com a pressão lá em baixo. Dava mais não. Finalmente sentei naquela coisa branca, fria e maravilhosamente linda. O vaso sanitário deu de dez a zero em você naquele momento. Nunca imaginei que um vaso sanitário fosse tão lindo! Tão meu amor. Você? Acho que desceu na descarga.23.11.07
À espera
Cadê o que você prometeu? Segundo me consta, deveu tem que pagar. Mas você não apareceu. Sei não, mas fiquei mal. Desde as 20 horas tava lá. No local combinado e com a roupa prometida. Aliás, cheguei uns sete minutos antes, pra não provocar falatórios. Não gosto de atrasos, mas odeio esperar. Via você em qualquer pessoa. Imaginava estar disfarçada, só pra me despistar. Imaginei até ser uma bela mulher loira, alta, elegante, de salto alto, vestido amarelo-ouro e batom bem vermelho que vinha em minha direção. Viajei demais. Não era. Nem olhou pra mim. Nem me reparou com a camiseta do Botafogo que te prometi usar. E, delongas mais, dancei. Amarelei de tédio. Minha barriga começou a pedir pinico. Uma caganeira se avizinhava. Contorci-me de dor. Procurei um refúgio pra me ver livre daquelas lombrigas, mas tive que acelerar o passo pra conseguir chegar em casa. Quem dera uma fralda geriátrica naquele momento! Quem dera estar num shopping (apesar de odiá-los). Quem dera ter te encontrado, pois nada disso teria acontecido. Meu emocional emocionou, aliás, decepcionou. Milhares de informações chegavam ao meu cérebro, frutos do meu pensamento. Pensando besteiras. Pensando em você e no bolo que me destes. Consegui subir 3 vãos de escadas, a passos cuidadosamente lentos, mesmo sabendo que a lentidão era minha maior inimiga naquele momento. Mas não podia desconcentrar-me, pois certamente a merda viria. Nada de relaxar, tinha mais era que segurar a onda. Até a chave ficou difícil de enfiar na fechadura, mas consegui já bastante suado e com a pressão lá em baixo. Dava mais não. Finalmente sentei naquela coisa branca, fria e maravilhosamente linda. O vaso sanitário deu de dez a zero em você naquele momento. Nunca imaginei que um vaso sanitário fosse tão lindo! Tão meu amor. Você? Acho que desceu na descarga.29.10.07
Lugar-comum
Eu vivo correndo o mundo. Os tempos pra mim não passam. Não consigo parar, pensar demais. Faço tudo ao mesmo tempo agora. Suspeito de mim, não consigo desacreditar-me. Mesmo levando porradas continua a busca, as vezes, não sei nem de quê. Mas continuo. Escutar os outros, para mim, atrapalha. Tenho metas, tenho planos mil. Tenho como chegar ao que quero. Procuro não me abater por pouco, ou por muito. Acredito em mim, mesmo acreditando em você também. Apenas a minha opinião é mais relevante. Calculo? Sim. Faço previsões? Sim. Dão certo? Sim e não. Tudo é relativo. Tudo é perfeitamente imprevisível. Vai dar certo? Vai, por que não? Se depender de alguns, nunca vai dar certo. Mas não depende só de alguns, depende de uns. E esses uns são eles mesmos. São eles que quero. São eles que fazem a diferença, pelo menos para mim. Não me interessa você que não faz a diferença. Não me interessa a sua indiferença, ou, a sua teimosia em ser igual. Não me interessa teu carimbo, teu clichê. Não me chame pra esse teu lugar comum. Quer vir pra cá? Seja sempre bem-vindo. Agora, limpe os pés, lave as mãos e, principalmente passe uma borracha no teu HD.OBS: Foto de Daniel Chastinet
21.10.07
Sacos

Saco pra nascer
Saco de pipoca
Saco pra viver
Saco de idiota
Saco pra socar
Saco de pancada
Saco de açúcar
Saco de risada
Saco de pão
Saco de meizinha
Saco de carvão
Saco de farinha
Saco de café
Saco de gato
Saco de coité
Saco de gente
Saco de arroz
Saco de feijão
Saco de noz
Saco de chão
Saco de pano
Saco de papel
Saco de ano
Saco no céu
Saco de couro
Saco aberto
Saco de ouro
Saco de Alberto
Saco fechado
Saco de água quente
Saco lotado
Saco de repente
Saco de dormir
Saco de risada
Saco de luzir
Saco de cocada
Saco sem fundo
Saco com dobra
Saco imundo
Saco de cobra
Saco de merda
Saco de aula
Saco de farda
Saco de Paula
Saco de corrida
Saco furado
Saco de parida
Saco dourado
Saco de plástico
Saco de cimento
Saco amniótico
Saco de corrimento
Saco de açúcar
Saco de gargalhada
Saco da puta
Saco pra tudo
Sem saco
Saco pra tudo
Puxa-saco
Um saco
19.10.07
Lá Vem Você
Lá vem vocêAguçando minhas salivares
Aumentando o volume do meu calção
Fingindo nervosa
E toda gostosa
A me desejar
Lá vem você
De passos maneiros
De corpo estradeiro
A me paquerar
Mostrando em decote
Seus seios tão fortes
Seus meios exatos
A me dominar
Lá vem você
Toda cheirosa
Cheirando a capim
Vestido rendado
Corpinho marcado
A me sussurrar
Deixando em suspense
Os meus pensamentos
Calcinha apertada
Boquinha beijada
A me bolinar
Eternamente
Espaço ou Nave
Saco de dormir
Um saco dormir
Rolando cama adentro
Via láctea ao meu alcance
E penso
Em Sônia
Insônia
Sonhei acordado
Acordo firmado
Não sonho mais
Acordo mijado
Vai mais um sonho?
Divagações
No espaçoÀ caminho da roça
À cata do meu pão
Que está na padaria
E que bem que eu queria
Estivesse no chão
Publico meus escritos
Solto meus gritos
Ganidos roucos e afoitos
Minha caneta imaginária
Sempre operária
Riscando rabiscos
Arabescos
Crio desenhos perfeitos
Usados pelo prefeito
Pra enfeitar a cidade
E a cidade continua
Sua luta nua
Em busca da padaria
Apenas

Dá-me um gole
De coragem
Uma força
De vontade
Uma saudade!
Pode me dar?
Um pingo
De vergonha
Um pouco
De caridade.
Mas me dá
Uma vontade
De correr
Da cidade
Que tarda
Mas falha
Voltando
Tô com vontade
Que arde
Dá-me coragem
De um gole
De saudade
Uma pouca vergonha
Um pingo de caridade
Vamos correr
Da cidade
Que é tarde
Que valha
À pena
Apenas.


